top of page
Buscar

O Relógio Herdado de Meu Pai

  • 12 de jul. de 2025
  • 1 min de leitura

Conservo o relógio do meu pai.

Ele não marca mais as horas, mas ainda pulsa — como se o tempo tivesse aprendido a respirar devagar.

Guardo-o numa caixa de madeira escura, entre cartas antigas e um lenço que já não tem cheiro. Às vezes, abro a tampa só para ouvir o silêncio que ele faz.

O vidro está riscado, a corrente um pouco enferrujada. Mas há algo ali que não envelhece: talvez o gesto de quem me entregou, talvez o tempo que ficou preso entre os ponteiros.

Não uso o relógio. Mas ele me usa.

Me lembra que há horas que não voltam, mas também há memórias que não partem.

Levanto e visto o relógio do meu pai, como quem sai para passear.

Para ele, que me ensinou que tempo não se mede só com ponteiros. — C.R.

ree

 
 
 

Comentários


bottom of page